Dia Nacional da Conservação do Solo: como podemos cuidar melhor desse importante recurso natural?

Segundo a ONU, a cada cinco segundos o mundo perde uma quantidade de solo equivalente a um campo de futebol. Por isso, o dia de hoje serve para refletirmos sobre como melhor utilizar e conservar nossos solos.

Neste dia 15 de abril, Dia Nacional da Conservação do Solo – data comemorativa promulgada pela Lei Federal nº 7.876, de 13 de novembro de 1989 –, propõe-se uma reflexão sobre a conservação e necessidade de utilização adequada desse recurso natural tão importante para a nossa vida. Afinal, o solo é um elemento paisagístico, patrimonial e físico fundamental para o desenvolvimento de infraestruturas, como moradias, hospitais e escolas, e para execução de atividades como a agricultura para produção de alimentos. A data de 15 de abril é uma homenagem a Hugh Hammond Bennett (15 de abril de 1881 – 7 de julho de 1960), pioneiro nos estudos de conservação do solo nos Estados Unidos.

A conservação dos solos está relacionada ao tema “Vida Terrestre” do Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 15 proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU), que visa “proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade”. Em relação aos solos, o ODS 15 pretende, “até 2030, combater a desertificação, restaurar a terra e o solo degradado, incluindo terrenos afetados pela desertificação, secas e inundações, e lutar para alcançar um mundo neutro em termos de degradação do solo”.

Contudo, ainda há muito trabalho a ser feito para alcançar esse objetivo. Segundo a ONU, a cada cinco segundos o mundo perde uma quantidade de solo equivalente a um campo de futebol. Um relatório da Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO) publicado em 2015 revela que 33% dos solos do mundo estão moderadamente ou altamente degradados por erosão, salinização, compactação, acidificação e contaminação, gerando assim uma menor captação de carbono da atmosfera e um agravamento das mudanças climáticas. Somente a erosão, um dos principais problemas para garantir segurança hídrica, alimentar e energética no mundo, elimina 25 a 40 bilhões de toneladas de solo por ano, reduzindo significativamente a produtividade das culturas e capacidade de armazenar carbono, nutrientes e água. Perdas de produção de cereais devido à erosão foram estimadas em 7,6 milhões de toneladas por ano. Se não forem tomadas medidas para reduzir a erosão, haverá a diminuição total de mais de 253 milhões de toneladas de cereais em 2050. Essa perda de rendimento seria equivalente a retirar 1,5 milhão de quilômetros quadrados de terras na produção de culturas – ou cerca de toda a terra arável da Índia.

Por outro lado, quando gerido de forma sustentável, o solo pode desempenhar um papel importante na mitigação das mudanças climáticas, por meio do sequestro de carbono e outros gases de efeito estufa. A adoção de práticas de conservação que minimizam ou mesmo combatem os efeitos da erosão, como as vegetativas, que incluem a manutenção da palhada em cobertura e os sistemas integrados; ou as mecânicas, como o terraço e o plantio em nível associados ao não revolvimento do solo, podem auxiliar na manutenção de solos saudáveis.

Para entender melhor o tema em nível local, conversamos com a dra. Ermelinda Maria Mota Oliveira, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) campus Macaíba Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ/UFRN) e doutora em agronomia (Solos e Nutrição de Plantas) pela Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Qual a importância de se conservar os solos e como podemos melhor utilizá-los?

Ermelinda Oliveira: Os solos são extremamente importantes para a manutenção da vida no planeta terra, por desempenhar diversas funções ambientais como, por exemplo, a produção de biomassa no plantio. É um recurso externamente importante para agricultura. É através dos solos que produzimos os diversos alimentos para a manutenção do homem e dos animais. Porém, o solo é considerado um recurso natural lentamente renovável, pois sua formação pode levar milhares de anos. São necessários, por exemplo, 300 anos para formar um centímetro de solo. Desta maneira, a conservação desse recurso se torna extremamente importante.

A agricultura, pecuária e o desmatamento são algumas das principais atividades que podem provocar a degradação dos solos. Daí a importância de práticas de manejo conservacionista, como, por exemplo, manutenção da cobertura vegetal no solo, práticas de adubação do solo, adubação verde, cultivo em nível etc.

O que mais dificulta a correta conservação dos solos, especialmente no Rio Grande do Norte?

Uso e manejo inadequado dos solos e a falta de adoção de prática de manejo conservacionista. Um exemplo simples é a prática do uso do fogo por alguns agricultores, muita danosa por provocar queima da matéria orgânica do solo. No Rio Grande de Norte, principalmente na região agreste e sertão (região semiárida), os solos são jovens, rasos, possuem baixo teor de matéria orgânica e a vegetação de caatinga possui pouca biomassa, ou seja, pouca cobertura do solo. Dessa maneira, os solos tornam-se mais susceptível a erosão, promovendo assim a sua degradação. Outro aspecto é a distribuição de chuvas, que se concentram nos meses de janeiro, fevereiro e março nas regiões agreste e sertão do RN, promovendo a ocorrência de chuvas erosivas que causam erosão do solo.

O que pode ser feito para melhor conservar ou melhorar a situação dos solos do RN? Você desenvolve algum projeto nesse sentido?

A adoção de práticas de manejo conservacionista, como manutenção da cobertura do solo por meio da cobertura morta – que aumenta a matéria orgânica do solo –, o uso de adubação verde, ou a adoção de sistema de manejo conservacionista, como, por exemplo, sistemas agroflorestais.

Temos projetos de pesquisa e ensino, junto ao professor Gualter Guenther Costa da Silva, que buscam a melhoria da qualidade do solo através do manejo de sistemas agroflorestais.

Dra. Ermelinda Maria Mota Oliveira, professora da Escola Agrícola de Jundiaí / UFRN, na Área Experimental de Manejo e Conservação do Solo /EAJ. Foto: Ermelinda Maria Mota Oliveira.

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