Dia Mundial da Saúde: a prevenção é o melhor remédio

No Dia Mundial da Saúde, comemorado em 7 de abril, conversamos com o idealizador do projeto “Oncotour – Prevenir o Câncer é Melhor do que Remediar”, finalista do Prêmio Euro Inovação na Saúde.

O Dia Mundial da Saúde é comemorado em 7 de abril porque essa data coincide com a criação da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1948. Além de alertar sobre os problemas que afetam a saúde pública, especialmente neste período de pandemia, é uma oportunidade para disseminar informações e recomendações para que as pessoas busquem levar suas vidas de forma mais saudável e equilibrada, assim como preconiza o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 da Organização das Nações Unidas (ONU), que visa “assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades”. Nesse dia, portanto, vale a máxima de que “prevenir é melhor que remediar”.

Em alusão ao Dia Mundial da Saúde, conversamos com Felipe Teles de Arruda, médico e radioterapeuta que lidera o “Oncotour – Prevenir o Câncer é Melhor do que Remediar”, projeto que busca aproximar a população de informações sobre prevenção e formas de lidar com a doença, além de orientar sobre os impactos do coronavírus em pacientes com câncer e seus familiares. O projeto é um dos finalistas dentre os 1655 projetos concorrentes do Prêmio Euro Inovação na Saúde, cujo objetivo é reconhecer e incentivar a comunidade médica do Brasil na busca por soluções inovadoras em produtos, serviços e ações que resultem em ganhos potenciais e/ou efetivos para a qualidade de vida e bem-estar dos brasileiros. Felipe Teles é formado na USP de Ribeirão Preto, membro titular da Sociedade Brasileira de Radioterapia e faz parte da equipe de médicos do Hospital Imaculada da Conceição, em Curvelo, interior de Minas Gerais.

Como surgiu a ideia do projeto Oncotour?

Felipe Teles: Determinado pela vontade de mudar a educação em saúde preventiva, detecção precoce e formas de tratamento do câncer, criei o projeto Oncotour – Prevenir o Câncer é Melhor do que Remediar. Isso aconteceu no início de 2019. A iniciativa conta com uma equipe multidisciplinar e percorre diversas cidades do país para debater e orientar jovens, adultos e idosos sobre a importância da prevenção desta patologia. O que nos une nesse projeto é o espírito de solidariedade.

Inicialmente foram feitas visitas guiadas por profissionais pelo Instituto do Câncer para que a população pudesse ter conhecimento e contato do tratamento oncológico, posteriormente realizamos as atividades de orientações nas escolas, com a premissa que nesses ambientes podemos informar os jovens e motivá-los a se tornarem protagonistas na prevenção e disseminação destas informações para seus familiares e amigos.

Qual o principal objetivo deste projeto?

O objetivo é levar informação segura sobre o câncer a diversos grupos sociais, além de derrubar mitos e apresentar dados atualizados sobre a manifestação e formas de tratamento. Também buscamos mudar a maneira como pacientes e familiares lidam com o câncer. As pessoas precisam compreender a importância da mudança de alguns hábitos e adotar medidas de prevenção ao longo do dia a dia. O que me faz feliz nessa ação é garantir que a informação seja passada de forma clara e tranquilizadora para as pessoas. Em aproximadamente dois anos de atuação, o Oncotour já levou a mensagem para mais de 3 mil pessoas.

Como acontecem as ações do projeto?

Foi elaborado um material audiovisual com informações de prevenção primária e secundária extraídas da literatura médica, utilizando a oportunidade de informar a população sobre os riscos e formas de prevenção e detecção precoce do câncer.

As ações iniciais foram realizadas utilizando a infraestrutura do auditório da própria instituição, o Hospital Imaculada Conceição – Instituto do Câncer, para apresentação de dados referentes à doença. Posteriormente foram realizadas visitas guiadas com apresentação dos departamentos de quimioterapia e radioterapia e a possibilidade de aprofundamento dos debates acerca dos tipos de tratamentos disponíveis e utilizados.

Até o momento o programa já contou com mais de 50 palestras sobre temas de prevenção e detecção precoce do câncer e mais de 3000 visitantes, entre funcionários e diversos grupos da comunidade, como Rotary Club de Curvelo, Maçonarias, vereadores, estudantes como técnicos de enfermagem e enfermeiros, paróquias, torcidas de Futebol, policiais, paciente que já trataram a doença, médicos e enfermeiros da Estratégia da Saúde da Família, entre outros grupos, que foram orientados sobre a forma de prevenir o câncer e conheceram de perto toda a estrutura. Além disso, realizamos ações nas rádios locais e regionais e entrevista em televisão. Também realizamos apresentações nas escolas e empresas do município e visitamos outros municípios. Através deste ciclo de trocas de informações, pudemos deixar a nossa mensagem de amor e de preocupação para com a saúde da população e levamos conosco o carinho e os incentivos recebidos.

Tivemos que fazer uma pausa nas ações in loco do projeto por conta da pandemia do coronavírus. Porém, o momento é importante para aproveitar a atenção das pessoas com a própria saúde e motivá-las a transformar a relação com os cuidados preventivos. Para manter o projeto ativo durante a orientação quanto à quarentena, vamos iniciar nas próximas semanas uma série de vídeos explicativos que vão abordar tanto o coronavírus quanto o câncer. 

Quais são as principais informações que o projeto pretende disseminar?

Queremos disseminar de forma humana como os pacientes com câncer são e devem ser cuidados, e que todo ser humano é único e deve ser amparado em sua integralidade. Com nossas ações, vislumbramos que, junto com a sociedade, podemos mudar a forma de ser ver a enfermidade. Através de informações seguras e transmitidas de maneira clara, esperamos que os indivíduos possam ter hábitos de vida mais saudáveis e assim reduzir o impacto e a probidade de uma doença futura.

As visitas guiadas foram ótimas oportunidade de aproximação de funcionários com a comunidade em geral para o alerta do crescimento do número de casos de câncer e sobretudo uma chance de informar esta população sobre a prevenção e fatores de riscos envolvidos nesta doença. Em todos locais nos quais as ações foram realizadas, a aceitabilidade e elogios dos coordenadores das instituições foram unânimes. Os elogios e a participação do público também foram surpreendentes, pela curiosidade e pela forma como abordaram o assunto.

Como o projeto vai incluir e abordar questões relacionadas ao coronavírus?

A pandemia relacionada ao coronavírus (COVID-19) vem causando grande preocupação no mundo em função da rápida disseminação da infecção e da gravidade observada, especialmente entre pessoas com saúde fragilizada pela idade avançada ou por outras comorbidades. Entre as condições que predispõem a uma possível maior gravidade da infecção está o câncer. Pacientes oncológicos têm, frequentemente, uma diminuição da imunidade por conta da própria doença, por um estado debilitado de recuperação pós-cirúrgica ou, ainda, pelo efeito imunossupressor de alguns tratamentos, como quimioterapia, cortisona, transfusões de sangue e radioterapia.

Atualmente, pela recomendação de isolamento social, não estamos realizando palestras presenciais, temos focado em entrevista por rádio e televisão orientando a população sobre o impacto entre a infecção pelo coronavírus e o paciente com câncer. Assim, utilizamos esta oportunidade para reforçarmos estas recomendações:

Aos pacientes com câncer ou em acompanhamento:

●        Não interrompa seu tratamento oncológico

●        Caso haja suspeita de infecção, a consulta deve ser priorizada e o paciente, enquanto aguarda, precisa usar máscara cirúrgica e ficar em ambiente arejado

●        Se estiver na fase de seguimento, contate sua equipe médica para avaliar se é seguro adiar seus retornos para um período com menor disseminação do coronavírus

●        Evite contato com qualquer pessoa que tenha sintomas gripais, que esteja em investigação para possível infecção Covid-19, ou que tenha chegado do exterior (com ou sem sintomas gripais)

●        Se apresentar quadros como, febre, coriza, tosse seca, falta de ar, contate seu médico

●        Permaneça somente o tempo necessário em ambiente de clínicas e hospitais. Dentro do possível, evite contato físico direto, mesmo com o seu médico e a equipe de saúde

●        Só leve, no máximo, um acompanhante para um centro de tratamento oncológico. Essa pessoa não pode apresentar qualquer sintoma respiratório ou febre

●        Restrinja visitas hospitalares ao que for estritamente necessário

            A familiares e população de forma geral:

●        Evite contato com o paciente caso você apresente qualquer sintoma suspeito de gripe. Também é importante não se aproximar de terceiros com sintomas ou infecção confirmada, para não haver risco de transmitir o coronavírus ao indivíduo com câncer

●        Para indivíduos assintomáticos, o uso de máscara não é recomendado. Quando não indicada, essa estratégia pode causar custos desnecessários e criar uma falsa sensação de segurança, que leva à negligência de outras medidas preventivas essenciais, como lavar as mãos

O projeto Oncotour visa alcançar os mais variados públicos na disseminação de informações sobre o câncer. Foto: divulgação/ projeto Oncotour.

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